Antigamente, tudo se apresentava como um simples reflexo do que viria ser Literatura. Com o tempo, percebi que na verdade, a identificação da Literatura não era somente “um amontoado de frases, orações, períodos e parágrafos”, pois a premissa primordial da Literatura extrapola esse conhecimento. Não é gostar de… e também não é só ter conhecimento de…para que tal o seja. Há necessidade de haver criatividade, leitura exaustiva para saber os caminhos “apropriados” e/ou “adequados”. O meu primeiro contacto com a Literatura, principalmente a Literatura Moçambicana, deu-se através dos poemas de diversos autores/escritores moçambicanos, apresentados tendo em conta seus períodos por: Peres Laranjeira, Fátima Mendonça, Orlando Mendes, Manuel Ferreira, Frantz Fanon, Mário Pinto de Andrade, Manuel de Sousa e Silva. Neste sentido, a diversificação da Literatura Moçambicana, impactou-me, de tal modo que consegui entender que no início, o que julgamos saber sobre algo; é na verdade, simplesmente não saber nada. Por via disso, Peres Laranjeira, norteou-me tendo em conta (5) cinco períodos específicos para entender a nossa Literatura. Em sua explicitação, deixou em mim ficar “1° período de (Insipiência); 2° período de (prelúdio); 3° período de (Formação); 4° período de (Desenvolvimento) e o último período, 5° período de (consolidação)”. Através destes períodos, comecei a escrever julgando o que os críticos denominam de “avaliação”. Todavia, minhas expressões literárias findavam sempre no que toca às expressões literárias de Noémia de Sousa. Nela, criei meus poemas, prosas poéticas, contos e crónicas (ainda) inéditos, pois acredito que ser escritor não é uma tarefa fácil, mas também não é uma tarefa impossível. Nós não somos definidos pelo que escrevemos, mas pelo que os fruidores captam em nossas escrituras; ou seja, todo escritor é mentiroso, todo escritor frui duas faces, todo escritor cria o irreal na base do real, projectando passos que edificam os sentidos dos fruidores. Particularmente gosto de pensar nas minhas expressões literárias como “Vidas”, isto é, a vida é única e nela podemos formar trajectórias diversificadas. Este sentido da diversificação da trajectória expressa os diferentes passos, a peculiaridade de “vidas” que um poema consegue transmitir no fruidor. Sempre tenho indagações sobre a perspectiva literária moçambicana e também sobre o número excessivo de “escritores” e menor número de “leitores”. Respondo quase sempre as minhas questões na base desse prefácio: “somos aquilo que somos, definidos ou não, nós temos uma parte na Literatura Moçambicana”. Através do prefácio, pensei e continuo pensando…escrever? Ou simplesmente apresentar as minhas ideias de forma oral para todo mundo escutar e não ouvir. Continuo na dúvida se irão me entender, mas creio ser uma decisão tomada por muitos escritores contemporâneos da Lusofonia. Agora, conto com muitas inspirações porque sempre dei conta que precisamos de entender antes de julgar o que pode ser considerado “adequado” ou “apropriado” na Literatura. Desde então, escrevo como nunca escrevi, escrevo como nunca pensei, escrevo porque acredito que as ideias postas no papel moldam o reflexo do mundo.



julho 05, 2024
Lacuna - 21

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