Ah, o sussurro antigo que ecoa nas almas
Antes mesmo de se encontrarem.
Uma cor invisível, tecida no tear os deuses,
Um carmesim que pulsa sob a pele,
Imperceptível ao olhar comum,
Mas sentido como uma cancão silenciosa
No mais íntimo do ser.
Não é sorte vã, quando dois olhares se cruzam e,
Num instante que se eterniza,
Reconhecem no outro a melodia que faltava à própria
Existência.
Esse fio, que não se vê, dança com o vento dos destinos,
Atravessa montanhas
De desencontros e oceanos de tempo.
Pode esticar-se até quase
Romper a esperança, pode emaranhar-se
Nas voltas que a vida insiste em dar,
Mas sua essência permanece,
Indestrutível, um farol a guiar
Os corações desgarrados de volta
Um ao outro.
Sente-se no arrepio que
Percorre a espinha ao simples toque,
Na certeza inexplicável que floresce no peito
Quando a presença do outro é abrigo.
É o conforto de um lar que nunca se conheceu,
Mas que sempre se esperou.
As mãos se buscam como se guardassem
A memória de um encaixe perfeito,
Os espíritos se entrelaçam numa dança que
Começou eras antes do primeiro OLÁ!



maio 23, 2025
Lacuna - 21
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