Manifesto do Akai ito

Ah, o sussurro antigo que ecoa nas almas

Antes mesmo de se encontrarem.

Uma cor invisível, tecida no tear os deuses,

Um carmesim que pulsa sob a pele,

Imperceptível ao olhar comum,

Mas sentido como uma cancão silenciosa

No mais íntimo do ser.

Não é sorte vã, quando dois olhares se cruzam e,

Num instante que se eterniza,

Reconhecem no outro a melodia que faltava à própria 

Existência.

Esse fio, que não se vê, dança com o vento dos destinos,

Atravessa montanhas

De desencontros e oceanos de tempo.

Pode esticar-se até quase

Romper a esperança, pode emaranhar-se

Nas voltas que a vida insiste em dar,

Mas sua essência permanece,

Indestrutível, um farol a guiar

Os corações desgarrados de volta

Um ao outro.


Sente-se no arrepio que

Percorre a espinha ao simples toque,

Na certeza inexplicável que floresce no peito

Quando a presença do outro é abrigo.

É o conforto de um lar que nunca se conheceu,

Mas que sempre se esperou.

As mãos se buscam como se guardassem 

A memória de um encaixe perfeito,

Os espíritos se entrelaçam numa dança que

Começou eras antes do primeiro OLÁ!


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