Ah, esta palavra que mora no peito,
Hóspede agridoce,
Cancão que a alma entoa em surdina.
Nostalgia!
Um eco teu que ficou em mim,
A tua ausência que se faz
Presente em cada canto da memória,
Em cada silêncio que grita teu nome,
Silêncio, silêncio,
É o sol da manhã que parece menos
Cintilante sem o teu sorriso
Para acendê-lo por completo.
É a melodia que toca e, de repente,
Traz à tona o perfume exacto da tua pele,
O jeito manso do teu olhar
Que me despia a alma.
O café esfria na xícara, esquecido,
Enquanto a mente viaja para aqueles dias
Em que o tempo era nosso cúmplice,
E cada segundo ao teu lado,
Valia uma eternidade. Sinto-a no vazio
Que a tua mão deixou na minha,
No espaço ao lado da cama que parece vasto
E gelado como um deserto.
É a risada que falta para completar a minha,
A voz que o vento não me traz mais,
Apenas sussurros de lembranças.
As estrelas parecem mais distantes,
O luar mais pálido, como se o universo também
Sentisse o peso desta distância que nos separa.
Mas há uma beleza estranha nesta dor,
Uma prova viva do quanto foi real,
Do quanto significou.
Cada pontada de saúde é um tributo ao amor
Que floresceu,
Um lembrete da felicidade
Que um dia nos aqueceu. E nesta espera,
Neste anseio, alimento a esperança
Tímida de um reencontro,
Ou me conformo em carregar-te assim,
Como a mais preciosa e melancólica jóia,
Guardada no relicário do coração.
Saudades, APENAS saudades,
A tua mais indelével marca
Em mim.



maio 23, 2025
Lacuna - 21
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